Sobre finais.
No final, todas as histórias de amor são as mesmas, duas pessoas apaixonadas que terminam como estranhos. E isso não é engraçado?! Por um momento a gente aprende sobre as coisas favoritas, suas manias, as músicas que ele gosta de ouvir toda manhã como um despertador e sobre o jeito que ele gosta de manter somente aquela luz na lateral da cama acesa e até mesmo como falar ao telefone se torna sua nova coisa favorita porque era o que ele gostava de fazer. A gente divide momentos, frustrações, vulnerabilidades, criamos um laço e acreditamos na sua eternidade, não importa o quanto todos os filósofos do mundo digam que nada é eterno. A gente compartilha nosso filme favorito, nossa comida e nossas histórias de criança e no final, quem somos senão dois completamente estranhos que já compartilharam todos os momentos mais íntimos juntos. O que fica quando acaba mas ainda é possível sentir o gosto, o cheiro, o toque… A gente luta por tanto tempo por um amor, por ser amado, acolhido mas desistimos dele na mesma intensidade… Será que é totalmente possível dizer que acabou quando ainda resta o frio na barriga? Será que é possível dizer que foi totalmente esquecido quando as mãos ainda tremem e o peito ainda dói? A verdade é, por mais que a gente esqueça, no fundo a lembrança ainda continua queimando durante muito tempo esperando qualquer faísca para acender novamente. A gente ressignifica o sentimento mas não a expectativa de como tudo poderia ter sido e não foi pois é disso que nos alimentamos, das memórias não preenchidas e das histórias pela metade que merecem um final feliz como todo conto de fada no qual fomos bombardeados a vida inteira. Ao final, somos completamente dois estranhos que já se gostaram e apenas as lembranças permanecerão.
–Noregrets






